segunda-feira, 29 de março de 2010

Olhar solitário


Hoje, o peso do mundo em meu peito quase me impede de respirar e acordar para um novo dia.
O espelho, devolve me um olhar profundo e terrivelmente solitário.
Quero acreditar que a felicidade vale a pena.
Quero ser capaz de dar me mais uma chance.
Refazer o meu mundo onde de forma alguma podem imperar as velhas sombras.
Preciso afastar de mim os Morcegos que acordam todas as noites para me roubar a tranquilidade do sono.
contornar esta negatividade que me invade e por vezes me faz pensar que até a morte me esqueceu.
Vou reunir os pedaços de mim, e travar a galopante velocidade da tristeza.
Preciso devolver a meu rosto o sorriso puro e espontâneo que o caracteriza.

sábado, 20 de março de 2010

Luz no Horizonte


Casco podre de um navio que assiste ao lento suicídio do sangue no mar.
estranha flor ao vento, debaixo de uma lua que se faz foice.
Rasgo cada curva, contracurva, cada esquina desta vida num silencio sepulcral.
Toda a terra em meu redor se abre em fendas que me vão chamando a cada passo, o denso e opaco nevoeiro entra-me pelos ossos como um sabre que me estupra o ser e arranca de mim a força de viver.
Sinto o ribombar dos trovões tão longe e tão perto, que num áspero açoite atiram com meus ódios contra a parede.
Sozinho caminho em busca duma luz que não vejo no horizonte.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Silêncio e tanta gente


Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou

Maria guinot (vencedora do festival da cancão da RTP em 1984)


Dedicada a Isabel Soares uma Pequena/Grande Mulher com o mais sincero agradecimento por cada minuto, por cada sorriso...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Ao Luar


Quando me sento na varanda á noite
com a solidão em que sempre vivi
Minha garganta chama te em vão
E minha alma faminta corre pra ti.

Uma lágrima silenciosa
Percorre o meu rosto cansado
Passa em meu peito
Esconde se no meu coração apertado.

Vazio de ilusões
Milionário de sonhos já vividos
Recordo antigas paixões
Que fizeram vibrar meus sentidos.

Esta angustia de viver
Consome-me pouco a pouco
Este não parar de sofrer
Arrasta-me neste mundo louco.

Quero fugir de mim, não sei pra onde.
Talvez daqui pra lá do mundo
Onde o sofrimento se esconde
E deixar de sentir este mal profundo.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Asas de ferro


24 de Fevereiro de 2010 dia em que mais uma vez a minha vida sofre uma mudança, que espero positiva, duradoura e da qual possa vir a colher saborosos e sumarentos frutos.
Inicio hoje mais um trabalho, mais uma tentativa depois de tantas falhadas, e por coincidencia inicio hoje também o curso de cozinha na EHTP
Todas as minhas esperanças renascem agora depois de uma indescritível e quase insuportável temporada em que vi a minha vida parar um pouco a cada dia.
Minuto após minuto vi-me desaparecer numa horrível lama cor do chão que me toldou os sentidos e foi apertando o nó que ainda hoje trago na garganta e urge ser desfeito.
Preciso olhar o futuro, enfrentar os problemas e voar sobre os medos, mas todas as minhas forças são ainda insuficientes para abrir estas pesadas asas de ferro que teimam em trazer-me perdido e desacreditado de tudo.
Vivo na esperança de um dia dizer convicto que" Amar é saborear nos braços, o pedaço de Céu que Deus pôs na carne" , mas esse dia tarda em chegar e abre espaço a esta solidão assassina que me transforma numa colorida e animada fachada que esconde um ser triste, amargurado e sem vontade de continuar.

Caminhos da Infancia


Recolho-me no silencio possível e deixo me ir na leveza sublime das memórias, percorro os caminhos da minha infância, cumprimentando com saudade aqueles que já partidos um dia me fizeram feliz, fujo como hoje, daqueles que me feriram e maltrataram ao me esquecerem.
Jogo ás escondidas com os maus momentos e subo as árvores com as doces lembranças de coisas que já não existem.
Rebolo com o meu cão por campos de verdes ervas perfumadas... Hum...
Bem -me-quer, mal-me- quer.. quem quer umas uvas acabadas de colher, lavadas na cristalina agua deste rio que nos lava até a alma?
Sinto a emoção e o frio na barriga de ajudar os pintos a nascer e a coragem de os matar depois de crescidos.
Jogo á malha, á macaca, ando de bicicleta até cair ,choro, rio á gargalhada, oiço o estalar da lenha no fogão que me seca a roupa depois das brincadeiras e me aquece o coração , tal como estas recordações.

O Renascer da Esperança


Nos Últimos minutos do dia 31 de Dezembro , uma linda e viçosa mulher subiu ao 12 andar de um prédio, abriu os braços e deixou se cair... Ai, que enorme sensação de liberdade...
Aflitas ao verem sua queda, as pessoas que passavam na rua correram em seu socorro e quando se aproximaram , viram no chão uma linda e sorridente menina de olhos verdes.
-Quem és tu? como te chamas? perguntam.
A menina levanta se, arranja seu lindo vestido e os cachos do seu cabelo, olha em redor, e responde.
- Será possível que todos os anos tenho que responder a estas mesmas perguntas??
Esperança o meu Nome é Esperança..