quarta-feira, 29 de abril de 2009

Viagem


Corpo esguio de uma beleza invulgar, sorriso doce, muito doce, olhar misterioso, penetrante ,matador.
As mãos finas, compridas deixam expostas as veias onde corre o sangue que se quer quente.
Entre leves roupas e joias um alvo e discreto regaço que dá asas á imaginação, as botas pretas que terminam nos finos joelhos dão lhe um ar altivo, dominador, porem sereno.De uma serenidade capaz de me encantar.
Tento disfarçar, tento olhar o sol, mas não consigo separar o olhar daquele rosto cândido, daqueles dentes perfeitos que se perdem num sorriso..
De repente vejo-a partir.. De passo apressado, segue firme, de cabeça erguida e olhar fixo no horizonte com os longos cabelos beijados pelo vento que a rouba da minha viagem...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Estranha Loucura


Invento uma vista..
Invento uma vida...
Nesta minha estranha loucura vivo a ânsia de desculpar o que não tem desculpa, de fazer dos teus erros minha culpa.
Tento entender,
Tento num voo fazer parte da tua vida, mas não há nada mais e toda a terra já se uniu para mo mostrar
Decidi ganhar forças para viver, viver solto pelo mundo , pelo meu mundo, onde sou livre, selvagem e apesar de tudo feliz.
Sinto saudades de andar comigo , de mãos dadas comigo, com a minha realidade, partir estas correntes que me aprisionam o ser, voltar a minha doce solidão, á minha estranha loucura.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Paz


Sonho com a paz a cada momento...
A cada momento o meu peito sente mais um aperto, minha garganta dá mais um nó..
Apetece me voltar ao Mar de madrugada para ouvi-lo cantar, vê lo no seu movimento orfão de obrigações...
Queria dançar nesta tempestade, Queria sorrir pela eternidade.
Mas as làgrimas secam-me lentamente por dentro, levam com elas toda a alegria e força que me resta para lutar.
Rezo,
Rezo a cada minuto para que a Vida me devolva a si própria pois sinto me a morrer um pouco a cada dia...

Anjo


Uma vez mais sem saber porque vejo aquela luz, luz que brilha.
Luz dourada.
Todo o céu fica iluminado com o brilho dos sentidos...
Se é lua cheia não sei..
Será um sono profundo? um pesadelo?
Será o destino?
Sinto a alma fechada, tento fugir de mim, desta ausência do real.Peço perdão pelos pecados, sinto o peso de uma vida proibida e nem o ar fresco me devolve a tranquilidade...
Mas... De repente entendo..
O Anjo...
Saído da luz , ele está lá...Aproxima se de mim e diz:
- Estou aqui para te ouvir, para te acalmar, para te guiar neste mundo louco, não tens nada a temer.
Tens que viver a vida, vivenciar tudo.
Fazer lutos, rir, chorar, sentir, sempre sentir e não te preocupes, eu estarei SEMPRE aqui...
Sou o teu Anjo

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Momentos


Hoje não me reconheço.
Embalo no peito uma vontade de gritar, de falar mal do mundo, mas tudo está aprisionado cá dentro...
Sinto a voz chorar pela dôr de um qualquer veneno que a queima..
Sinto me perdido na vida, cansado , apenas cansado, uma dôr amarga dissolve em si o mel da vida que habitualmente me percorre as veias..
Hoje transpiro fel, revolta, medo ..
Queria ser assertivo neste mundo tão duro e manipulador mas não sou feiticeiro.. E assim vai anoitecendo meu olhar..
Tento voar dentro de mim, tento encontrar um caminho , uma estrada que me guie a uma alvorada de alegria...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Meu Mundo


Acendo a luz que me ilumina o coração neste lugar que é só meu no mundo, nele me escondo da vida que corre louca lá fora..
A vida aqui é boa, aqui me reconstruo a cada noite
Aqui acalmo e limpo a minha alma.
Aqui choro e encontro meu sorriso.
Este brilho que entra pela janela cobre meu leito com a Paz que tanto preciso, guarda meus segredos.
Aqui exorciso a minha dôr, as minhas penas.
Aqui durmo e não tenho medo de sonhar a dormir ou acordado.. Sonho e assim sou feliz neste meu mundo..

terça-feira, 21 de abril de 2009

Porque...



O tempo passa mas não apaga estas imagens da minha memória,é como se estivesse lá, perto de ti.. Naquele tempo.
Sinto aberta uma ferida no peito, custa me viver assim com a entranhada sensação de nojo, repúdio, dói demais recordar te nesse teu vai-vem em busca de prazer carnal, de prazer material.. E Eu?? EU o fruto do teu ventre onde fico?
Entregue a mim mesmo? Ao meu sofrimento ?? Porque??
Porque não partiste mais cedo?
Porque não seguiste os teus sonhos, as tuas vontades?? Porque tentaste forçar este futuro que há já muito se advinhava??
Porque incutiste este Mar de coisas más em meu peito?
Porque pedes agora perdão??
Não adianta, não chega, não apaga a dôr de toda uma vida de falsidade, de castigos, de ausência.
Houve a hora, o momento de te Amar... Não estavas lá.. PORQUÊ???

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Criança


Hoje assisti á alvorada, vi o sol a brilhar forte, vi o Rio correr. Segui a rota das nuvens...
Permaneci neste silêncio do nada, dedilhando mentalmente a guitarra da saudade que me transporta ao passado. Relembrei o riso, o pranto, relembrei os sentimentos, os sonhos..
Espantei me com o que de criança guardei para mim.
Vi-me a brincar.
A andar por ali em tardes perdidas..
Era tanta a beleza....
Belo quadro da infância que ainda não se apagou...

Adeus...


Fui encontrar te numa das bermas da vida, calado , desacreditado de tudo, desrespeitado pelo mundo....
Estendi-te a minha mão, mostrei-te que lá no fundo , por muito que pareça num fundo dificil de atingir há uma luz.
Atravessamos juntos uma temporada singularmente dificil, vivemos momentos de dôr, de agitação, perdi o meu sossego, a minha calma matinal, mas o meu desejo de ver-te bem , de te ter foi mais forte que tudo isso.
E agora que me preparo para erguer orgulhosamente a bandeira da vitória vejo que tudo isto foi em vão, vejo que não te sentes bem assim , que apenas me vês como uma cabana abandonada que se usa por momentos enquanto passa a tempestade.
Assim NÃO obrigado, não posso mais ser usado. Vai, vive a tua vida.. Sê feliz á tua maneira.... A minha alma ferida faz-se agora voz para cantar a magoa, as memórias e principalmente para te dizer um sentido ADEUS

domingo, 19 de abril de 2009

Zezito


Tinha prai uns 5 ano, sim, pequeno e fràgil sem conhecer nada do mundo, Zezito chegou a casa e viu aquele corpo ali deitado no chão...
Continuou a brincar sozinho na varanda até que o Pai chegou, com um ar triste, pegou-o ao colo e deu lhe um beijo de boa tarde... Hummm como era bom sentir aquele "cheiro a Pai", aquela barba a picar lhe a cara..
Estás aqui sozinho?? Perguntou.
-Sim, Não faças barulho, a Mãe está a dormir no chão do quarto..
Num salto o Pai quase deixou cair o miudo e correu até lá, a partir daí foi uma corrida contra o tempo...
E a partir daí foi essa a história da vida do Zezito, teve que aprender a viver com os gritos, teve que aprender a acordar a meio da noite e ficar agarrado ao seu ursinho de peluche a ouvir as discussões.
Aprendeu a crescer sozinho, de coração apertado, sempre com medo de voltar a casa.. Tinha medo de encontrar de novo aquele corpo caído num qualquer canto , mas teve de habituar-se á ideia porque foram tantas as vezes... Tantas....
Com o passar do tempo Zezito aprendeu a lêr, INFELIZMENTE aprendeu a lêr...

"Quando chegarem já devo estar morta, estou farta de viver assim "

"Não aguento mais esta vida, não sou feliz, Adeus.."


Foram estas algumas das primeiras coisas que Zezito aprendeu a lêr, eram os recados que encontrava ao lado do corpo da sua Mãe a cada tentativa de suicidio.
O tempo foi passando, mudaram de casa, nasceu outra criança, mas nada mudou, a não ser para pior, as tentativas continuaram , as discussões continuaram e o Zezito continuou tambem a viver aquilo tudo, sem entender nada, sem saber o que fazer...
Fragil, com medo , com vergonha de uma sociedade que o olhava com pena, continuou vida fora com aquelas imagens cravadas na memória.
Zezito é hoje um adulto, aparentemente o mais normal e comum dos mortais, mas basta fechar os olhos para que o passado o volte a atormentar...

sábado, 18 de abril de 2009

Sentimentos...


Não sei o que sinto , sei apenas que sinto, sinto me que aprisionado dentro de mim mesmo com vontade de gritar a plenos pulmões e libertar me deste desespero que me consome lentamente por dentro.
Sinto me vazio, sem amor , sem carinho, sinto me apenas usado, revoltado, sinto saudades de ser feliz.
E nesta condição de mendigo de sentimentos me arrasto a cada dia pela longa e dura estrada da vida, procurando em cada rosto o teu rosto , em cada sorriso o teu sorriso, procurando em cada gesto uma mão, uma mão que saída da multidão me toque, toque meu coração pequenino e ferido deixando nele uma chama de felicidade...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Nascido de uma arvore



Sinto medo de dormir. Sinto medo de ter medo. Não quero mais atravessar as pontes que ligam ao passado. Tenho sonhos, pesadelos, pesadelos que me transportam lá trás. Lá ao tempo em que sozinho, indefeso, sem saber o que era a vida , vivia qual fantoche na mão dos adultos, na mão daqueles que ocupados com as discuções, preocupações e traições das suas vidas, só pensavam em si mesmos e me viam como mais uma "coisa" que tinham lá por casa... Senti me usado, vazio, triste.. Sinto que cresci sozinho, que criei um mundo próprio, que ME criei.... Tantas foram as vezes que gritei para dentro... Mas ninguem me ouviu, ninguem me viu... Tento beber a luz do presente Deixo o Rio correr... Mas existe a noite... Existe esta dor que sei de cor, existe a sina de quem nasce fraco e tem que tornar se forte.. Tento não ser assaltado por estes rasgos de memória. Memória má... Memória triste... Tento quebrar as grades do medo, mas não consigo.. Sinto me pequeno demais, fragil demais, sem forças.. Podéra eu esquecer... Podéra eu escolher... Podéra eu ter nascido de uma Arvore....