quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Solidão Tatuada



O dia Chega lentamente arrastando consigo um vazio que se apodera de mim e não me deixa dormir...
Permaneço inerte a ouvir a chuva e certa com suas gotas rolam por meu rosto lágrimas de uma profunda solidão que trago tatuada em mim e me rouba a calma.
Questiono o que resta de mim e nem este relógio que anda em sentido contrário dá solução a esta minha ânsia de felicidade, de normalidade .
Tudo em mim é tristeza, Sinto que vou desaparecer do mundo tal como vim, Sozinho e sem nada.
E .. Sem Amor, sem vontade nem coragem de enfrentar esta época que se aproxima e onde se fala de tudo aquilo que não tenho, resta-me apenas reunir forças e encarar o mundo lá fora.... Não posso morrer porque é Natal ....

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Calvário


Sinto me morrer de sede no meio do oceano
Sinto-me isolado com tanta gente à minha volta
Ninguém consegue ouvir o grito da minha solidão ???
Choro a rir, isto é mais forte do que pensei.
Por dentro sou um mendigo mas aparento ser Rei
As pernas tremem a cada passo
O dia amanhece e ao espelho vejo o fracasso
O Vento sopra e diz me para ter cuidado.
Vagueio sem destino nem sei se estou acordado
O sorriso escasseia, hoje a tristeza é rainha
Choro
Mas sei que ninguém me ouve
Prisioneiro de mim próprio sei que sou o meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo demais comigo
Olho para os lados, não vejo ninguém para me ajudar
Nem um ombro para me apoiar
Sem um sorriso para me animar
Sinto lágrimas nos meus olhos que ninguém vê
Tento não me ir abaixo mas não é fácil
Quando penso que tudo vai passar
mais sinto a agonia desta vida vazia
Sinto uma pesada solidão que me acompanha
E penso para mim mesmo se é isto que quero
ou se esta vida apenas uma corrida para a morte
que triste esta minha sina
que triste esta minha sorte
Não peço muito, não peço mais do que tenho direito
Olho para trás e analiso tudo o que tenho feito
E sei que errei, mas foi a tentar fazer o bem
Não sei o que é o ódio, não desejo mal a ninguém,
mas muitas são as vezes que penso em desistir por me sentir infeliz
por sentir penoso demais este calvário...
será que é impossível o Amor acontecer??????

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Sou




Sou o grito mudo que não ouves
O gosto amargo que não sentes
Brisa do mar em noite calma
Um sol quente em dia de verão
Sou a lágrima que cai de emoção
De um choro calado na solidão
De um riso alegre em noite escura
Sou uma vida só mas de alma pura…
Sou um doce amargo que ninguém quis
Triste, feliz… carinhoso, mas também ausente
Sou aquilo que não sonhei mas sempre quis
Um menino/homem tão inocente mas indecente
Esqueço o passado, sonho o futuro mas vivo o presente.
Sou um sonho inatingível
Uma quimera desejada
Sou um desejo impossível
Sei amar e não sou amado
Sou tudo isso, sou muito mais
Neste mundo de anormais
Vejo-me numa solidão cheia de gente
Vejo-me a mim unicamente
Vejo-me num futuro sem presente.
Vejo-me a mim como sou
E sou eu simplesmente...

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Ai...



Olha que Lua..
Olha que Mar..
De olhar triste e profundo e olhos raso de agua,
Neste dia em que a tristeza é senhora em mim, apenas consigo ver nesta noite a ideal para desaparecer.
No sereno, com a Lua como esmola e única companheira sem um aceno sequer, penso no quanto fui grande e hoje sou pequeno.
Fui cantor da Primavera e hoje a Voz cala todos os segredos e toda a dor da solidão que me apavora.
Ai.....
Se Deus soubesse o tamanho da minha tristeza, enviar-me-ia todo Amor que há na terra..

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Amar


Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar, aqui... além...
Mais este e aquele, o outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém !

Recordar? Esquecer? indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
è preciso canta-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz foi para cantar!

E se um dia hei-de ser pó cinza e nada,
que seja a minha noite de alvorada, que me saiba perder... para me encontrar...


"Florbela Espanca"

(Des)conhecido


Deitado, a olhar o Sol no parapeito fico a ouvir a voz do desconhecido, a ouvir o que me diz o coração sobre a sombra fugidia do futuro, a sonhar com o mistério do que ainda não vivi.
Acorda me o medo deste escuro, sinto que o mundo me faz um aviso .
Quem sabe onde vou?
Quem vai esperar por mim um dia?
Por mais que levante a minha voz, por mais que leve a mão ao peito nada ganha um contorno preciso. Contudo não resisto a cantar quando estou triste e a chorar de alegria, assim sou eu, é esta a minha forma de encarar a vida...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Abandonado


Zézinho acordou quentinho, enrolado no seu cobertor de retalhos, a seu lado tinha a sua mochila e estava Nilo o seu cãozinho que já pulava de alegria por sabe-lo acordado. Mas estavam apenas os dois, olhou em volta ainda levemente adormecido mas estavam apenas os dois, no mesmo lugar onde na noite anterior ele havia adormecido com seus pais. Levantou se e foi procura-los.Saiu daquela cabana aparentemente abandonada no monte e deparou com a beleza do lugar, tudo era verde á sua volta, o Sol já forte lá no alto apenas salpicava aqui e ali o solo por entre as densas e centenárias árvores..
E agora?? Zézito estava sozinho e sentia fome. Abriu a sua enorme e pesada mochila , havia imensa comida, pão , bolachas, frutas, até iogurtes e chocolates, estava lá também uma foto sua com seus Pais, o seu casaco preferido, um gorro e um envelope, era um bilhete.
“ Querido filho , não tivemos outra alternativa senão deixar te entregue á tua sorte, sabemos que és forte e lutador e vais dar-te bem, mantém -te alegre , curioso e com garra e vais conseguir. Lembra te que no dia que deixares de sonhar , começas a morrer.. Desculpa-nos.
Um enorme beijo dos teus Pais.
Adeus..”
Zézinho sentiu-se sem chão, sentiu as lágrimas caírem-lhe pelo rosto, sentiu vontade de gritar, isto não podia estar a acontecer, ele não podia ter sido abandonado.
Não , não pode ser, anda Nilo corre....
Pai, Mãe, Pai onde estão???
Vá la por favor não façam isto , onde estão???
Zézinho correu tanto, gritou tanto , que quando conseguiu parar deixou-se cair e ficou ali no chão a chorar, o cãozinho não entendia nada e tentava lambe-lo e brincar com ele.
Pára , deixa me , não vês que fomos abandonados????
Foram abandonados?? perguntou uma voz suave, era uma senhora que passava carregada com lenha.
Bom dia desculpe diz ele levantando-se e tirando da mochila a foto.
A Sra não viu estas pessoas?? são os meus pais, eles estavam comigo aqui ontem, ali ali numa casa velha, não os viu??
Tem calma pequeno tem calma , não não os vi mas o que se passou?
Eles deixaram esta carta. Abandonaram-me mas eu não acredito, eu vou encontra-los. Coitado , pensou a senhora.
Esquece pequeno , se te deixaram aqui, não vais encontra-los nunca. Tens fome??
Não senhora obrigado vou procura-los e começou novamente a correr.
Olha eu vivo nessa casa branca já ai á frente , se precisares de comida aparece, gritou a senhora ao miúdo que já ia longe.
Correu, deu voltas e mais voltas e nada. Cansado de correr, cansado de chorar, com a noite a chegar novamente, de alma desiludida e o seu animo de criança a arrefecido teve de procurar um lugar onde repousar. E encontrou... Encontrou uma capela aparentemente fechada, mas um leve toque numa das portas fé-la abrir, era linda, fria mas linda, com uma bela imagem da Virgem aos pés da qual Zézito se ajoelhou e rezou, falou lhe ao coração e pediu muito para ter a sua família de volta , tanto que acabou por se deixar dormir a seus pés.
Acordou gelado e e com fome, o seu cobertor havia ficado para trás, mas felizmente a mochila não.
Comeu tanto e tão rápido como se o mundo estivesse a fugir dele, mas sem nunca esquecer de alimentar o cão que parecia carregar lhe a tristeza...
Os dias passaram e a busca do menino continuou, mostrou sempre a foto a quem encontrava no caminho, chegou a uma altura que a foto era a única coisa que tinha na mochila, aceitou comida de algumas pessoas, tomou banho no rio, dormiu ao relento, viu seus sonhos desmoronarem-se e apesar da sua mão cheia de nada e de sentir a maior de todas as dores, a do abandono, nunca desistiu e acreditou sempre que um dia iria ser feliz.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Substituição (dedicado a um Amigo do peito)



Aflige-me esse desespero em que te vejo, essa angústia constante que vejo brotar em ti. Sinto o medo, a revolta e o conflito a tomarem conta do teu ser e a abafarem a tua essência mágica que tanto me encanta.

Por vezes indago-me o porquê de te aprisionares?... Parece que te inundas por uma necessidade súbita de te perder, por uma fome incontrolável de tristeza, solidão e desnorte. Gostava de poder apagar essa fluência tenebrosa e escura que vejo surgir em ti, e que te cobre com mantos frios e gélidos, sugando-te toda a tua capacidade de fazer coisas belas, e exprimir esse teu sorriso e olhar tão puros e encantados.

Afoga-me a alma ver-te nesse pranto tenebroso em que te deixas envolver, como se uma criança indefesa se encontrasse frente a frente com o pior dos rufias do bairro. Como se te visses num instante fugaz onde tinhas que defender o castelo de diamante, mas de teres as mãos tão ásperas e calejadas, te recusas a lutar e baixas de forma desanimada e constrangida, os braços. Decides entregar assim o pergaminho da vitória ao inimigo, enquanto te recostas de cócoras, desanimadamente entregue à derrota.

Custa-me o fôlego mais profundo ver-te sofrer desse modo. Queria poder trocar de lugar contigo. Tomar o teu lugar nessa batalha, ser eu a enfrentar as feridas, ser eu a ver a minha pele rasgada a brotar jorros de sangue vermelho vivo intenso, enquanto as cicatrizes se vão acumulando e as forças se tornam escassas. Queria Poder Sofrer Por Ti, Arrancar-te essa melancolia em que te encontras e abrir-te a janela da esperança para que possas novamente abrir as asas sem medo de voar…
Queria dar-te a minha liberdade, colocar-te o meu sorriso e fazer-te brilhar… Mas não posso, não consigo, não depende de mim, está para além das minhas capacidades, e infelizmente, é esta a minha limitação…
No entanto, posso e estou aqui contigo… Em silêncio, em oração e em coração aberto. Para que saibas que, ontem, hoje, amanhã e sempre, a minha mão estará estendida para curar com água límpida e cristalina, as chagas impuras que te vejo renascer, e o meu sorriso trazer-te-á luz abundante e renovada para que possas voltar a trilhar o teu caminho…

publicado por Light Wings above in "caminho da verdade"

sábado, 20 de junho de 2009

Aconteceu


Sentia me sozinho , triste desacreditado .
Sai por aí..
Eu e a solidão, olhando o céu, contando as pedras da calçada, procurando alguém com quem partilhar uma vida, alguém que me permita dar o melhor que tenho de mim..
Aconteceu...
Eu não estava á tua espera.
Tu procuravas me mas não sabias quem eu era.
Eu estava ali só porque tinha que estar, tu chegaste só porque tinhas que chegar.
Mãos pequenas e delicadas, olhar doce, sorriso angelical..
Olhei para ti e o mundo á minha volta parou.
Nesse instante, A minha vida mudou.
Nunca senti bater meu coração como bateu ao sentir tua mão.
Na tua boca o tempo voltou atrás.
E assim , quando menos se espera, tudo acontece... Uma pessoa aparece, dá-nos um novo alento, mostra-nos uma nova vida., onde nos sentimos queridos, desejados, onde há partilha de momentos, de sensações, onde há trocas de emoções..

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Socorro


De olhar trémulo, aterrado, com um nó na garganta, o coração enfermo, ensanguentado, permaneço entregue a mil pensamentos de febril agitação.
A proximidade do abismo desperta em mim a vontade de soltar os suaves laços de veludo que me prendem á vida, de fechar a porta e deixar me ir...
Mas há uma voz cá dentro que me lembra a feroz necessidade que sinto de renegar as minhas raízes, não posso deixar nunca espelhar em mim a parte envenenada da minha criação e que apesar de todo o meu esforço , por vezes não consigo reprimir.
Socorro.... Preciso de uma motivação que me faça ver a luz, que me faça sentir e saborear a vida, que tire ao meu corpo o peso e a faculdade de padecer.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Fantasmas


Nas páginas de um livro antigo.
Nas cinzas das horas, consigo ver-te, consigo ver as imagens medonhas que usavas para vender teu corpo.
Tento afoga-las.
Tento matar essas recordações,
Mas foram emoções fortes demais, marcas que jamais se vão apagar.
Quero arrancar-te do pensamento, quero arrancar te de mim...
VAI...
Porque teimas em não seguir o teu caminho?
Liberta-me o pensamento.
Liberta-me a alma.
Não suporto mais esta dor, não tenho mais forças para nadar neste lamacento rio de memórias amargas em que há muito mergulhei.
Preciso beber a Luz filtrada do fel que deixaste na minha memória..

Pedras no caminho



Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas...
Um dia vou construir um castelo…”

"Fernando Pessoa"

Solidão


Há dias que vagueio só e triste,
Por entre o real de um sonho belo;
Mas o fado da vida não resiste ,
Despedaçando este meu apelo!

Porquê assim ? Eu sei que não mereço...
Eu sei que nada tenho... Nada sou...
Qual cinza apagada.... Por desprezo,
Que de um braseiro rubro resultou,

Sou aquele que todos ignoraram,
Sou aquele que todos vêem ... e não olham,
Para o meu inquietador sofrer...

Chora de dor o coração dilacerado,
Por se saber tão só ... Abandonado...
Sem um carinho... Sem um só Amor!

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Retalhos


Um dia acordo...
Sento-me na cama..
De repente a vida passa á minha frente como no cinema.
Imagens sem nexo, outras nem tanto.
São dias em que só há melancolia.
Lembranças de um passado já distante que insiste em lembrar-nos o que queriamos esquecido.
Porta-retratos expostos na estante.
A paixão que nos tirou do sério.
A traição que nos fizeram por maldade.
Histórias que fizeram nossa história. Que nem sempre moram na saudade..
Então vem a inspiração..
E escrever é aquilo que faço, Tentando livrar-me desses retalhos.
Viro me do avesso na poesia.
E nascem estes poemas cabisbaixos..

sábado, 6 de junho de 2009

Musica



Ultimamente tenho-me sentido triste, cansado, pequenino e momentos há em conseguem fazer-me sentir uma merda.. Mas sempre que ouço musica todos esses sentimentos se diluem.
A musica acalma-me,
Leva-me a viajar.
Desperta-me os sentidos.
Provoca-me arrepios.
Leva me ás lágrimas, faz me levitar..
Sinto -me capaz de abrir os braços e tocar levemente o céu.
No mais intimo de mim sinto a musica, tenho a certeza que me corre no sangue , só assim consigo explicar a necessidade que sinto de cantar a cada minuto...
É mais forte do que eu e quando não posso verbalizar, canto para dentro.. Assim há sempre musica dentro de mim, a preencher-me e a dar me forças para continuar dia a dia esta luta...

Segredo salgado


O dia estava quente, muito quente e a ida á praia há muito programada, parecíamos duas crianças excitadas e não perdemos tempo a colocar nossos corpos e nossa longa amizade aquele sol tórrido só possível de suportar com visitas frequentes a água gelada que nos refrescava os corpos e deixava neles um suave véu de sal.
Sabíamos-te por perto, mas estávamos longe de imaginar as tuas fantasias e quando demos por nós estávamos a dividir o teu corpo, a deixar que te deliciasses com nossos falos.. Juntos, um a um como que saboreia um manjar.
Com um movimento rápido levaste-me a entrar em ti e então foi o delírio, nossos corpos movimentaram-se os três numa dança nunca vista, que respeitava o movimento das ondas.
Ali nas dunas, expostos a olhares, expostos ao sol que nos queimava a pele quase tanto como o prazer que te fazia gemer baixinho , levaste-nos ao auge e no mesmo minuto desapareceste..
Nosso dia continuou , quente, divertido e com mais um segredo para partilhar..

Vazio


Sinto-me perdido, vazio, sinto que tudo de bom secou em mim.
Questiono -me sobre o porque desta luta, pergunto me se vale a pena continuar esta caminhada,
Procuro dentro de mim forças que não consigo encontrar.
Hoje não consigo esboçar um sorriso
Tão pouco tenho forças para segurar as lágrimas que teimam em soltar se dos meus olhos já cansados.
Minha única vontade é manter-me fechado na minha concha sem ver ou ouvir nada nem ninguem. Rezo para que passem rápido estas horas em que tenho que manter o contacto com o mundo e possa voltar ao aconchego da minha solidão.
Sei que não devia ser este o meu querer, mas como posso viver afastado deste vazio se ele é já todo o meu ser...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Simples


Há quanto tempo não colho uma flor silvestre e fico, simplesmente a olhar para ela?
Simplesmente a olhar uma flor que é simples???
Há quanto tempo não faço isso ?
Em vez de viver no passado, nas gigantescas amarguras das escolhas erradas, e do que supostamente as pessoas me fizeram...
Em vez de viver no futuro , na ilusão ignóbil do que ainda vou fazer, do que ainda vou ser.
Pura e simplesmente colher uma flor simples e ficar apenas a olhar para ela.
Sem passado nem futuro, sem planos nem ambições, sem mágoas ou ressentimentos..
Simplesmente ali a olhar uma flor simples.
Sem cargas emocionais, sem dilemas, sem projecções ou adiamentos.
Nada.
Só ali, a olhar simplesmente.
Há quanto tempo ?
Esse é o segredo da vida.
Encontrar coisas que me façam parar o tempo ou encontrar tempo para parar as coisas,para simplesmente olhar para elas.
Para simplesmente estar.
para simplesmente ser.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Meu casaco de Lã


Acordei pequenino hoje, frágil, com medo, com frio...
Uma lágrima rola por meu rosto, depois outra e muitas sem conta...
Busco o meu casaco de Lã quentinho, ele traz-me calor, conforto, é tudo o que preciso agora.
Com ele seco minhas lágrimas, nele me escondo do mundo que teima em ser cruel.
Só ele com a sua leveza consegue abafar meu grito de desespero, só ele me aconchega na minha vontade de fugir de mim, de não mais estar aqui...
Só ele... O meu casaco de Lã

O Amargo do Mel


A tua agonia, o teu sofrimento fazem minha a tua incapacidade...
Quero ajudar-te.
Quero aliviar-te...
Oh céus como quero, mas como?? diz -me como.
A maldita doença varre-te por dentro qual vento varre o deserto e eu impotente vejo-te partir um pouco a cada minuto, não resta mais senão alimentar-te , adoçar com mel o pouco que resta de ti.
Ela avança feroz e deixa claro que tudo tem um fim.Seguro -te a mão, abraço-te, mas as 13h batem á hora certa e com elas bate pela ultima vez o teu já fraco coração....
NÃO...
O mundo lá fora parou num grito..
Olha para mim, aperta me a mão , vá lá eu sei que ainda és capaz...
Não há nada mais a fazer , nada mais a dizer, o vento ficou ainda mais gelado, o teu ultimo suspiro deixou no ar um tenebroso aroma a mel que levarei na memória como parte de ti. Só assim consigo que não me doa ainda mais...

Renascido de um Domingo


Hoje a frustração e o desânimo são mais fortes do que eu , confesso , sinto me cinza e pesado como o tempo que faz lá fora. È certamente o peso da minha consciência.
Sinto me mal pelo que não fiz ontem , sim pelo que não fiz... Chegado de uma louca madrugada de álcool e sexo, nada mais fiz todo dia do que ficar a vê-lo passar lentamente. meu viver limitou-se apenas a respirar e alimentar o corpo e como se alimentou...
Procurei mais prazer mas não encontrei , em nada , em ninguém e mais uma vez sozinho naveguei as horas uma a uma sem forças sequer para com agua fria arrancar de mim o gosto e a lembrança da noite anterior que teimou em permanecer em mim .
Fui fraco... Sou fraco, no único dia que é realmente meu , no dia em que posso escolher o que fazer , escolho ficar sem forças para viver.
E hoje arrependido, com forças que não tenho e com horários para cumprir, cá estou...
Renascido..
A caminho de mais um dia, a caminho da vida..

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Amigo imaginário


Sei que tudo é irreal...
Mas sinto...
Nas longas viagens, nos dias em que estou apenas em casa horas a fio, nas horas em que estou física e terrivelmente só... e são tantas..
Sei que vives aceso no meu mundo , que me ouves, que mantens longas conversas comigo , que ouves minha voz a chorar, me acalmas, me perdoas e velas o meu sono mais profundo .
Isso faz-me bem.
Não sei quem és...
Se um outro EU, se aquele que sempre idealizei ser ou apenas um estranho.
Sei que por vezes aposto contigo a minha vida.
Não adianta fugir, não quero fugir, quero apertar te a mão e continuar a ter-te como meu Amigo imaginário

terça-feira, 19 de maio de 2009

Paixão de verão


Este sol trouxe-me á memória um verão quente em que fui feliz, foi um tempo de encantamento no qual me senti verdadeiramente apaixonado , em que senti a força do desejo , o suor do prazer..
Recordo como vivemos perdidos num mundo que parecia o nosso , alheios do mundo real..
Nossos corpos alimentavam-se um do outro fundindo se num só, vezes sem conta..
Tudo era fácil.
Tudo era belo.
Tudo era intenso, febril...
Mas tudo não passou disso, uma utopia, uma febre que foi embora com o verão..

Vida não vivida


Sinto passar cada dia igual ao outro.
Sinto a vida passar, a felicidade a passar.
Não consigo viver o suficiente para me sentir completo.
Preenche me uma sensação de vazio, de vida não vivida.
Quero estar onde não estou porque estou sempre onde não quero estar.culpo os outros porque não me dão a atenção que desejo.
E desejo apenas atenção, sentir me vivo, não quero sentir me apenas uma maquina pagadora de contas.
Preciso viver os pequenos e doces prazeres da vida, parar de viver medos e incertezas.
Preciso dar uso a este coração que carrego e cada vez sinto mais frio.Não posso deixa-lo gelar e parar, quero viver, amar, disfrutar da vida.
Preciso disfrutar de mim, dividir com o mundo o que trago guardado cá dentro ...

Essência


A minha essência está sempre á minha espera, á espera que eu pare de olhar para os outros, que eu pare de olhar inclusive para mim.
está ali á espera de conseguir ser.
para consueguir dar me força para vibrar.
A minha essência é um ser de Luz confinado á estrutura fisica do meu corpo.
Ela quer ser livre, quer voar, quer mais do que a vida limitada que lhe posso dar.
quer abraçar o mundo e encantar a todos com enorme convicção, mas para isso tenho que a conhecer, que a compreender, que a aceitar.Tenho que intuir, procurar, tenho que perceber que ela sou eu no meu estado mais puro, no estado mais original.
só quando entender este todo , posso entender o que vim cá fazer...

domingo, 17 de maio de 2009

Vida


Por vezes dou comigo a perguntar-me o que é a vida.
É sem duvida a batida de um coração.
Uma doce ilusão.
È uma maravilha
Um Sofrimento
Uma alegria
Um lamento.
É um nada,é um Mundo.
Uma ponte.
Um divino mistério profundo.
É o sopro do criador, numa atitude repleta de de Amor.
Faço da vida o que der e poder e sei que ela podia ser bem melhor, por isso a minha cabeça se agita.
Vivo...
Não sinto vergonha de tentar ser feliz...
Canto apenas a beleza de ser um eterno aprendiz...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Cruz


Sinto me cansado demais, desanimado demais para criar.
sinto-me doente.
O meu corpo deixa-se envolver pelo manto cinza que paira no céu e tenta dormir, a minha mente tenta esconder-se do mundo e fazer lhe companhia.
Sinto necessidade de num todo obdecer ao que me pedem e parar de os contrariar...
Hoje desejo baixar os braços e desistir, desistir de lutar, lutar contra o tudo e o nada, uma luta que não me leva a lado algum.
São batalhas e mais batalhas, umas ganhas outras perdidas diariamente, que nunca me trazem a vitória final ou a Paz eterna...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sonho



Eu tive um sonho... Vi me no cimo de um monte muito alto de onde podia vêr grande parte do mundo.
Estava num casarão antigo de uma beleza singular, com largas portas de madeira , janelas trabalhadas e rodeadas por belas trepadeiras e flores. No jardim, enorme habitavam imponentes arvores centenárias que com seus ramos desenhavam lindas sombras e me protegiam do sol quente.
Vi-me passear , ouvia as folhas secas partirem a cada passo meu.
Ao fundo perto do lago encontrei sentada a mais bela figura feminina que alguma vez havia visto. Vestida de branco com seus cabelos presos com uma flor, estendeu me a mão e a sorrir levou me em silencio até um enorme portão de ferro que abriu com um suave toque de anjo.
Para lá do portão existia o infinito, o mundo aberto a meus pés e então sem saber como aquele ser segurou suavemente a minha mão e levou me a voar.
Voamos juntos sobre motanhas, planicies, sobre o Mar, num voo tão suave que fazia inveja as nuvens.
Senti-me leve, feliz, pleno...
A brisa fresca perfumada beijava-me o rosto fazendo-me esboçar um sorriso cada vez maior...

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Pão do Morais.


Morais era um jovem alto, robusto, cheio de vida, cheio de força , força que usava para ajudar a familia na confecção e distribuição diaria do pão pela aldeia.
Fizesse chuva ou sol aquele cheirinho a pão acabadinho de sair do forno a lenha fazia dele a visita mais desejada logo pela manhã e isso deixava o feliz, sentia se querido , desejado sentia se "o pão"... Era feliz assim.
O tempo passou, tudo passou e sem que ninguem entenda porquê, Morais vive agora alheio do mundo,continua a levantar se de madrugada, continua a fazer longas viagens com o pão mas agora não o leva ás pessoas, agora leva o as Pombas... Sim hoje Morais debaixo da chuva mais forte ou do sol mais torrido viaja diariamente até á cidade e ali fica pacientemente exposto durante horas, de gorro , oculos de sol, de olhar perdido no horizonte, alimenta as Pombas e a sombra daquilo que foi no passado.

Ferido de morte


Hoje carrego no peito o peso do mundo, um aperto que me dificulta a respiração.
As imagens, os gritos estão ainda a latejar na minha cabeça que parece explodir a qualquer momento.
Sinto medo, sinto frio, não consigo sequer levantar o olhar do chão onde me sinto.
Estou ferido, irremediavelmente ferido, com o coração fraco, sem forças para continuar esta cruzada, sem forças para olhar em frente, sequer para escrever..
Vou deixar me dormir...

domingo, 10 de maio de 2009

Alma gémea



Sinto-me péssimo hoje.
Havia prometido a mim mesmo que não me deixava ir tão abaixo novamente, mas foi mais forte do que eu.
Ainda tentei mudar o rumo do dia mas nenhuma das hipoteses que habitaram por momentos o meu pensamento foram agradáveis o suficiente para me dar forças, fui deixando o tempo passar, sem rumo , sem projectos, sozinho...
Que falta sinto de um terno abraço, um abraço que com a sua doce força me envolva, me faça sentir seguro, desejado, amado...
Faz me falta sentir um olhar profundo que consiga lêr o meu EU, que veja o quanto preciso de sentir uma mão a apertar a minha mão.
Um sussurro de paz ao meu ouvido, o ficar ali abraçados a ouvir musica envoltos em beijos e carinhos
Fazes me falta para dividir a mesa de jantar com as velas a iluminar o nosso amor.
Fazes me falta para juntos vermos o nascer e o pôr do sol, para caminharmos ao luar...
Fazes me falta para me amar... Para eu te amar...
Será que existes alma gémea????

sábado, 9 de maio de 2009

Sentir...


Por vezes sinto-me perto da ruptura, tudo parece ruír.
Tudo parece aproximar se do fim .
Sinto...
Emociono-me até á ultima gota de sangue e suor.
Mas depois de tanta dor, tanta emoção, faço o luto e arranco das entranhas mais profundas força para lamber as minhas feridas, para terminar com o meu tormento, erguer a cabeça e fazer uma nova caminhada com mais uma lição aprendida.
Olho em frente, vejo uma vida cheia de bifurcações, mas sei que cada escolha que eu faça representa mais uma oportunidade de descobrir quem realmente sou..

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Luz


Não posso ver apenas aquilo que quero, não posso viver na ilusão.
Tenho que ver a realidade. Ver o que é.
Para isso preciso de Luz.
A mesma Luz onde moram os anjos.
A mesma Luz que ilumina os caminhos,
A Luz que transforma os homens e os torna especias.
Preciso da mesma Luz que me retira a estranhesa e me devolve a minha própria natureza.
A mesma luz que clareia os meus passsos e me devolve um sentido na vida.
A mesma Luz que no fundo do túnel abre um campo aberto de possibilidades, um universo de oportunidades.
A mesma luz, da cor da paz, da cor de um povo que vive no céu e que faz a minha vida na terra ter mais significado .

Escuridão


Bebo deste que dizem ser o nectar dos Deuses, olho o relogio. É tarde..
Sinto o corpo cansado, a carne grita para que a deixe cair inerte num sono profundo, mas a mente resiste, luta contra esta falta de palavras, contra a dificuldade que tenho hoje de articular em palavras aquilo que sinto , sinto-me castrado na minha capacidade de expressão.
Queria jorrar poesia e hoje não consigo, simplesmente não consigo.
Sinto me um poço terrivelmente vazio de onde emana apenas uma profunda escuridão .

terça-feira, 5 de maio de 2009

Herança


Queria não saber-me ligado a ti, ligado por um sangue que sinto envenenado, podre.
Odeio-te com todas as minhas forças.
Não concebo a ideia de teres deixado cravada em mim esta horrivel vontade de amor de uma noite ,de uma hora.
Maldita sejas tu que viveste uma vida de femêa no cio.
Ressuscito da lembrança, tento nascer uma nova pessoa mas esta falta de Amor, de carinho leva-me a procurar nos outros aquilo que nunca foste capaz de me dar e que no fundo não consigo encontrar.
Pudera eu rasgar meu corpo, trocar meu sangue, libertar me de tudo o que pelo mais belo e puro milagre da naturaza me liga a ti e tornar-me-ia mais leve, mais feliz..
Sem esta pesada herança.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Amanhecer


Estreia se em mim o movimento lento da manhã.
Desperto lentamente para a vida, observo os pássaros na sua invejavel dança.
Respiro calmamente para saborear esta brisa qual manjar divinal.
Perco me dos outros.
Diambulo me por dentro, fico a combinar palavras neste vai vem de energias.
À minha frente um amplo horizonte onde procuro o meu destino, acredito no que vejo , no que sinto, é a pulsação de todas as sensações secretas.
Dou o nada e o melhor de mim , faço me escultura para que fique gravado na arte da minha memória

sábado, 2 de maio de 2009

Inquietude


Por vezes sinto que vivo o presente de mãos dadas com o passado.
Sinto me por lembranças assaltado.
São gomos de saudade que seguro na mão.
Sonhos inquietos que me roubam o chão...
É uma dor calada lá no fundo.
Voz da minha alma a pedir para correr mundo.
Faço o luto dos medos.
O luto do passado, dos segredos.
Já me senti esquecido, já tentei esquecer.
Mas as lembranças voltam para me ver.
Senti que se um dia não estivesse cá, ninguem havia de chorar me...
Dor que me rasga por dentro.
Tràs me á lembrança os que do passado sinto chamar me.
Lagrimas
Saudade
Vontade de ser criança..
Eternamente criança, inocente, pura, sem maldade.
Abro os olhos para a vida.
Vejo uma esperança acesa atràs do muro.
Tudo é ainda um verso em branco á espera do futuro...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Viagem


Corpo esguio de uma beleza invulgar, sorriso doce, muito doce, olhar misterioso, penetrante ,matador.
As mãos finas, compridas deixam expostas as veias onde corre o sangue que se quer quente.
Entre leves roupas e joias um alvo e discreto regaço que dá asas á imaginação, as botas pretas que terminam nos finos joelhos dão lhe um ar altivo, dominador, porem sereno.De uma serenidade capaz de me encantar.
Tento disfarçar, tento olhar o sol, mas não consigo separar o olhar daquele rosto cândido, daqueles dentes perfeitos que se perdem num sorriso..
De repente vejo-a partir.. De passo apressado, segue firme, de cabeça erguida e olhar fixo no horizonte com os longos cabelos beijados pelo vento que a rouba da minha viagem...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Estranha Loucura


Invento uma vista..
Invento uma vida...
Nesta minha estranha loucura vivo a ânsia de desculpar o que não tem desculpa, de fazer dos teus erros minha culpa.
Tento entender,
Tento num voo fazer parte da tua vida, mas não há nada mais e toda a terra já se uniu para mo mostrar
Decidi ganhar forças para viver, viver solto pelo mundo , pelo meu mundo, onde sou livre, selvagem e apesar de tudo feliz.
Sinto saudades de andar comigo , de mãos dadas comigo, com a minha realidade, partir estas correntes que me aprisionam o ser, voltar a minha doce solidão, á minha estranha loucura.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Paz


Sonho com a paz a cada momento...
A cada momento o meu peito sente mais um aperto, minha garganta dá mais um nó..
Apetece me voltar ao Mar de madrugada para ouvi-lo cantar, vê lo no seu movimento orfão de obrigações...
Queria dançar nesta tempestade, Queria sorrir pela eternidade.
Mas as làgrimas secam-me lentamente por dentro, levam com elas toda a alegria e força que me resta para lutar.
Rezo,
Rezo a cada minuto para que a Vida me devolva a si própria pois sinto me a morrer um pouco a cada dia...

Anjo


Uma vez mais sem saber porque vejo aquela luz, luz que brilha.
Luz dourada.
Todo o céu fica iluminado com o brilho dos sentidos...
Se é lua cheia não sei..
Será um sono profundo? um pesadelo?
Será o destino?
Sinto a alma fechada, tento fugir de mim, desta ausência do real.Peço perdão pelos pecados, sinto o peso de uma vida proibida e nem o ar fresco me devolve a tranquilidade...
Mas... De repente entendo..
O Anjo...
Saído da luz , ele está lá...Aproxima se de mim e diz:
- Estou aqui para te ouvir, para te acalmar, para te guiar neste mundo louco, não tens nada a temer.
Tens que viver a vida, vivenciar tudo.
Fazer lutos, rir, chorar, sentir, sempre sentir e não te preocupes, eu estarei SEMPRE aqui...
Sou o teu Anjo

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Momentos


Hoje não me reconheço.
Embalo no peito uma vontade de gritar, de falar mal do mundo, mas tudo está aprisionado cá dentro...
Sinto a voz chorar pela dôr de um qualquer veneno que a queima..
Sinto me perdido na vida, cansado , apenas cansado, uma dôr amarga dissolve em si o mel da vida que habitualmente me percorre as veias..
Hoje transpiro fel, revolta, medo ..
Queria ser assertivo neste mundo tão duro e manipulador mas não sou feiticeiro.. E assim vai anoitecendo meu olhar..
Tento voar dentro de mim, tento encontrar um caminho , uma estrada que me guie a uma alvorada de alegria...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Meu Mundo


Acendo a luz que me ilumina o coração neste lugar que é só meu no mundo, nele me escondo da vida que corre louca lá fora..
A vida aqui é boa, aqui me reconstruo a cada noite
Aqui acalmo e limpo a minha alma.
Aqui choro e encontro meu sorriso.
Este brilho que entra pela janela cobre meu leito com a Paz que tanto preciso, guarda meus segredos.
Aqui exorciso a minha dôr, as minhas penas.
Aqui durmo e não tenho medo de sonhar a dormir ou acordado.. Sonho e assim sou feliz neste meu mundo..

terça-feira, 21 de abril de 2009

Porque...



O tempo passa mas não apaga estas imagens da minha memória,é como se estivesse lá, perto de ti.. Naquele tempo.
Sinto aberta uma ferida no peito, custa me viver assim com a entranhada sensação de nojo, repúdio, dói demais recordar te nesse teu vai-vem em busca de prazer carnal, de prazer material.. E Eu?? EU o fruto do teu ventre onde fico?
Entregue a mim mesmo? Ao meu sofrimento ?? Porque??
Porque não partiste mais cedo?
Porque não seguiste os teus sonhos, as tuas vontades?? Porque tentaste forçar este futuro que há já muito se advinhava??
Porque incutiste este Mar de coisas más em meu peito?
Porque pedes agora perdão??
Não adianta, não chega, não apaga a dôr de toda uma vida de falsidade, de castigos, de ausência.
Houve a hora, o momento de te Amar... Não estavas lá.. PORQUÊ???

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Criança


Hoje assisti á alvorada, vi o sol a brilhar forte, vi o Rio correr. Segui a rota das nuvens...
Permaneci neste silêncio do nada, dedilhando mentalmente a guitarra da saudade que me transporta ao passado. Relembrei o riso, o pranto, relembrei os sentimentos, os sonhos..
Espantei me com o que de criança guardei para mim.
Vi-me a brincar.
A andar por ali em tardes perdidas..
Era tanta a beleza....
Belo quadro da infância que ainda não se apagou...

Adeus...


Fui encontrar te numa das bermas da vida, calado , desacreditado de tudo, desrespeitado pelo mundo....
Estendi-te a minha mão, mostrei-te que lá no fundo , por muito que pareça num fundo dificil de atingir há uma luz.
Atravessamos juntos uma temporada singularmente dificil, vivemos momentos de dôr, de agitação, perdi o meu sossego, a minha calma matinal, mas o meu desejo de ver-te bem , de te ter foi mais forte que tudo isso.
E agora que me preparo para erguer orgulhosamente a bandeira da vitória vejo que tudo isto foi em vão, vejo que não te sentes bem assim , que apenas me vês como uma cabana abandonada que se usa por momentos enquanto passa a tempestade.
Assim NÃO obrigado, não posso mais ser usado. Vai, vive a tua vida.. Sê feliz á tua maneira.... A minha alma ferida faz-se agora voz para cantar a magoa, as memórias e principalmente para te dizer um sentido ADEUS

domingo, 19 de abril de 2009

Zezito


Tinha prai uns 5 ano, sim, pequeno e fràgil sem conhecer nada do mundo, Zezito chegou a casa e viu aquele corpo ali deitado no chão...
Continuou a brincar sozinho na varanda até que o Pai chegou, com um ar triste, pegou-o ao colo e deu lhe um beijo de boa tarde... Hummm como era bom sentir aquele "cheiro a Pai", aquela barba a picar lhe a cara..
Estás aqui sozinho?? Perguntou.
-Sim, Não faças barulho, a Mãe está a dormir no chão do quarto..
Num salto o Pai quase deixou cair o miudo e correu até lá, a partir daí foi uma corrida contra o tempo...
E a partir daí foi essa a história da vida do Zezito, teve que aprender a viver com os gritos, teve que aprender a acordar a meio da noite e ficar agarrado ao seu ursinho de peluche a ouvir as discussões.
Aprendeu a crescer sozinho, de coração apertado, sempre com medo de voltar a casa.. Tinha medo de encontrar de novo aquele corpo caído num qualquer canto , mas teve de habituar-se á ideia porque foram tantas as vezes... Tantas....
Com o passar do tempo Zezito aprendeu a lêr, INFELIZMENTE aprendeu a lêr...

"Quando chegarem já devo estar morta, estou farta de viver assim "

"Não aguento mais esta vida, não sou feliz, Adeus.."


Foram estas algumas das primeiras coisas que Zezito aprendeu a lêr, eram os recados que encontrava ao lado do corpo da sua Mãe a cada tentativa de suicidio.
O tempo foi passando, mudaram de casa, nasceu outra criança, mas nada mudou, a não ser para pior, as tentativas continuaram , as discussões continuaram e o Zezito continuou tambem a viver aquilo tudo, sem entender nada, sem saber o que fazer...
Fragil, com medo , com vergonha de uma sociedade que o olhava com pena, continuou vida fora com aquelas imagens cravadas na memória.
Zezito é hoje um adulto, aparentemente o mais normal e comum dos mortais, mas basta fechar os olhos para que o passado o volte a atormentar...

sábado, 18 de abril de 2009

Sentimentos...


Não sei o que sinto , sei apenas que sinto, sinto me que aprisionado dentro de mim mesmo com vontade de gritar a plenos pulmões e libertar me deste desespero que me consome lentamente por dentro.
Sinto me vazio, sem amor , sem carinho, sinto me apenas usado, revoltado, sinto saudades de ser feliz.
E nesta condição de mendigo de sentimentos me arrasto a cada dia pela longa e dura estrada da vida, procurando em cada rosto o teu rosto , em cada sorriso o teu sorriso, procurando em cada gesto uma mão, uma mão que saída da multidão me toque, toque meu coração pequenino e ferido deixando nele uma chama de felicidade...

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Nascido de uma arvore



Sinto medo de dormir. Sinto medo de ter medo. Não quero mais atravessar as pontes que ligam ao passado. Tenho sonhos, pesadelos, pesadelos que me transportam lá trás. Lá ao tempo em que sozinho, indefeso, sem saber o que era a vida , vivia qual fantoche na mão dos adultos, na mão daqueles que ocupados com as discuções, preocupações e traições das suas vidas, só pensavam em si mesmos e me viam como mais uma "coisa" que tinham lá por casa... Senti me usado, vazio, triste.. Sinto que cresci sozinho, que criei um mundo próprio, que ME criei.... Tantas foram as vezes que gritei para dentro... Mas ninguem me ouviu, ninguem me viu... Tento beber a luz do presente Deixo o Rio correr... Mas existe a noite... Existe esta dor que sei de cor, existe a sina de quem nasce fraco e tem que tornar se forte.. Tento não ser assaltado por estes rasgos de memória. Memória má... Memória triste... Tento quebrar as grades do medo, mas não consigo.. Sinto me pequeno demais, fragil demais, sem forças.. Podéra eu esquecer... Podéra eu escolher... Podéra eu ter nascido de uma Arvore....