quinta-feira, 28 de maio de 2009

Simples


Há quanto tempo não colho uma flor silvestre e fico, simplesmente a olhar para ela?
Simplesmente a olhar uma flor que é simples???
Há quanto tempo não faço isso ?
Em vez de viver no passado, nas gigantescas amarguras das escolhas erradas, e do que supostamente as pessoas me fizeram...
Em vez de viver no futuro , na ilusão ignóbil do que ainda vou fazer, do que ainda vou ser.
Pura e simplesmente colher uma flor simples e ficar apenas a olhar para ela.
Sem passado nem futuro, sem planos nem ambições, sem mágoas ou ressentimentos..
Simplesmente ali a olhar uma flor simples.
Sem cargas emocionais, sem dilemas, sem projecções ou adiamentos.
Nada.
Só ali, a olhar simplesmente.
Há quanto tempo ?
Esse é o segredo da vida.
Encontrar coisas que me façam parar o tempo ou encontrar tempo para parar as coisas,para simplesmente olhar para elas.
Para simplesmente estar.
para simplesmente ser.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Meu casaco de Lã


Acordei pequenino hoje, frágil, com medo, com frio...
Uma lágrima rola por meu rosto, depois outra e muitas sem conta...
Busco o meu casaco de Lã quentinho, ele traz-me calor, conforto, é tudo o que preciso agora.
Com ele seco minhas lágrimas, nele me escondo do mundo que teima em ser cruel.
Só ele com a sua leveza consegue abafar meu grito de desespero, só ele me aconchega na minha vontade de fugir de mim, de não mais estar aqui...
Só ele... O meu casaco de Lã

O Amargo do Mel


A tua agonia, o teu sofrimento fazem minha a tua incapacidade...
Quero ajudar-te.
Quero aliviar-te...
Oh céus como quero, mas como?? diz -me como.
A maldita doença varre-te por dentro qual vento varre o deserto e eu impotente vejo-te partir um pouco a cada minuto, não resta mais senão alimentar-te , adoçar com mel o pouco que resta de ti.
Ela avança feroz e deixa claro que tudo tem um fim.Seguro -te a mão, abraço-te, mas as 13h batem á hora certa e com elas bate pela ultima vez o teu já fraco coração....
NÃO...
O mundo lá fora parou num grito..
Olha para mim, aperta me a mão , vá lá eu sei que ainda és capaz...
Não há nada mais a fazer , nada mais a dizer, o vento ficou ainda mais gelado, o teu ultimo suspiro deixou no ar um tenebroso aroma a mel que levarei na memória como parte de ti. Só assim consigo que não me doa ainda mais...

Renascido de um Domingo


Hoje a frustração e o desânimo são mais fortes do que eu , confesso , sinto me cinza e pesado como o tempo que faz lá fora. È certamente o peso da minha consciência.
Sinto me mal pelo que não fiz ontem , sim pelo que não fiz... Chegado de uma louca madrugada de álcool e sexo, nada mais fiz todo dia do que ficar a vê-lo passar lentamente. meu viver limitou-se apenas a respirar e alimentar o corpo e como se alimentou...
Procurei mais prazer mas não encontrei , em nada , em ninguém e mais uma vez sozinho naveguei as horas uma a uma sem forças sequer para com agua fria arrancar de mim o gosto e a lembrança da noite anterior que teimou em permanecer em mim .
Fui fraco... Sou fraco, no único dia que é realmente meu , no dia em que posso escolher o que fazer , escolho ficar sem forças para viver.
E hoje arrependido, com forças que não tenho e com horários para cumprir, cá estou...
Renascido..
A caminho de mais um dia, a caminho da vida..

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Amigo imaginário


Sei que tudo é irreal...
Mas sinto...
Nas longas viagens, nos dias em que estou apenas em casa horas a fio, nas horas em que estou física e terrivelmente só... e são tantas..
Sei que vives aceso no meu mundo , que me ouves, que mantens longas conversas comigo , que ouves minha voz a chorar, me acalmas, me perdoas e velas o meu sono mais profundo .
Isso faz-me bem.
Não sei quem és...
Se um outro EU, se aquele que sempre idealizei ser ou apenas um estranho.
Sei que por vezes aposto contigo a minha vida.
Não adianta fugir, não quero fugir, quero apertar te a mão e continuar a ter-te como meu Amigo imaginário

terça-feira, 19 de maio de 2009

Paixão de verão


Este sol trouxe-me á memória um verão quente em que fui feliz, foi um tempo de encantamento no qual me senti verdadeiramente apaixonado , em que senti a força do desejo , o suor do prazer..
Recordo como vivemos perdidos num mundo que parecia o nosso , alheios do mundo real..
Nossos corpos alimentavam-se um do outro fundindo se num só, vezes sem conta..
Tudo era fácil.
Tudo era belo.
Tudo era intenso, febril...
Mas tudo não passou disso, uma utopia, uma febre que foi embora com o verão..

Vida não vivida


Sinto passar cada dia igual ao outro.
Sinto a vida passar, a felicidade a passar.
Não consigo viver o suficiente para me sentir completo.
Preenche me uma sensação de vazio, de vida não vivida.
Quero estar onde não estou porque estou sempre onde não quero estar.culpo os outros porque não me dão a atenção que desejo.
E desejo apenas atenção, sentir me vivo, não quero sentir me apenas uma maquina pagadora de contas.
Preciso viver os pequenos e doces prazeres da vida, parar de viver medos e incertezas.
Preciso dar uso a este coração que carrego e cada vez sinto mais frio.Não posso deixa-lo gelar e parar, quero viver, amar, disfrutar da vida.
Preciso disfrutar de mim, dividir com o mundo o que trago guardado cá dentro ...

Essência


A minha essência está sempre á minha espera, á espera que eu pare de olhar para os outros, que eu pare de olhar inclusive para mim.
está ali á espera de conseguir ser.
para consueguir dar me força para vibrar.
A minha essência é um ser de Luz confinado á estrutura fisica do meu corpo.
Ela quer ser livre, quer voar, quer mais do que a vida limitada que lhe posso dar.
quer abraçar o mundo e encantar a todos com enorme convicção, mas para isso tenho que a conhecer, que a compreender, que a aceitar.Tenho que intuir, procurar, tenho que perceber que ela sou eu no meu estado mais puro, no estado mais original.
só quando entender este todo , posso entender o que vim cá fazer...

domingo, 17 de maio de 2009

Vida


Por vezes dou comigo a perguntar-me o que é a vida.
É sem duvida a batida de um coração.
Uma doce ilusão.
È uma maravilha
Um Sofrimento
Uma alegria
Um lamento.
É um nada,é um Mundo.
Uma ponte.
Um divino mistério profundo.
É o sopro do criador, numa atitude repleta de de Amor.
Faço da vida o que der e poder e sei que ela podia ser bem melhor, por isso a minha cabeça se agita.
Vivo...
Não sinto vergonha de tentar ser feliz...
Canto apenas a beleza de ser um eterno aprendiz...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Cruz


Sinto me cansado demais, desanimado demais para criar.
sinto-me doente.
O meu corpo deixa-se envolver pelo manto cinza que paira no céu e tenta dormir, a minha mente tenta esconder-se do mundo e fazer lhe companhia.
Sinto necessidade de num todo obdecer ao que me pedem e parar de os contrariar...
Hoje desejo baixar os braços e desistir, desistir de lutar, lutar contra o tudo e o nada, uma luta que não me leva a lado algum.
São batalhas e mais batalhas, umas ganhas outras perdidas diariamente, que nunca me trazem a vitória final ou a Paz eterna...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Sonho



Eu tive um sonho... Vi me no cimo de um monte muito alto de onde podia vêr grande parte do mundo.
Estava num casarão antigo de uma beleza singular, com largas portas de madeira , janelas trabalhadas e rodeadas por belas trepadeiras e flores. No jardim, enorme habitavam imponentes arvores centenárias que com seus ramos desenhavam lindas sombras e me protegiam do sol quente.
Vi-me passear , ouvia as folhas secas partirem a cada passo meu.
Ao fundo perto do lago encontrei sentada a mais bela figura feminina que alguma vez havia visto. Vestida de branco com seus cabelos presos com uma flor, estendeu me a mão e a sorrir levou me em silencio até um enorme portão de ferro que abriu com um suave toque de anjo.
Para lá do portão existia o infinito, o mundo aberto a meus pés e então sem saber como aquele ser segurou suavemente a minha mão e levou me a voar.
Voamos juntos sobre motanhas, planicies, sobre o Mar, num voo tão suave que fazia inveja as nuvens.
Senti-me leve, feliz, pleno...
A brisa fresca perfumada beijava-me o rosto fazendo-me esboçar um sorriso cada vez maior...

terça-feira, 12 de maio de 2009

O Pão do Morais.


Morais era um jovem alto, robusto, cheio de vida, cheio de força , força que usava para ajudar a familia na confecção e distribuição diaria do pão pela aldeia.
Fizesse chuva ou sol aquele cheirinho a pão acabadinho de sair do forno a lenha fazia dele a visita mais desejada logo pela manhã e isso deixava o feliz, sentia se querido , desejado sentia se "o pão"... Era feliz assim.
O tempo passou, tudo passou e sem que ninguem entenda porquê, Morais vive agora alheio do mundo,continua a levantar se de madrugada, continua a fazer longas viagens com o pão mas agora não o leva ás pessoas, agora leva o as Pombas... Sim hoje Morais debaixo da chuva mais forte ou do sol mais torrido viaja diariamente até á cidade e ali fica pacientemente exposto durante horas, de gorro , oculos de sol, de olhar perdido no horizonte, alimenta as Pombas e a sombra daquilo que foi no passado.

Ferido de morte


Hoje carrego no peito o peso do mundo, um aperto que me dificulta a respiração.
As imagens, os gritos estão ainda a latejar na minha cabeça que parece explodir a qualquer momento.
Sinto medo, sinto frio, não consigo sequer levantar o olhar do chão onde me sinto.
Estou ferido, irremediavelmente ferido, com o coração fraco, sem forças para continuar esta cruzada, sem forças para olhar em frente, sequer para escrever..
Vou deixar me dormir...

domingo, 10 de maio de 2009

Alma gémea



Sinto-me péssimo hoje.
Havia prometido a mim mesmo que não me deixava ir tão abaixo novamente, mas foi mais forte do que eu.
Ainda tentei mudar o rumo do dia mas nenhuma das hipoteses que habitaram por momentos o meu pensamento foram agradáveis o suficiente para me dar forças, fui deixando o tempo passar, sem rumo , sem projectos, sozinho...
Que falta sinto de um terno abraço, um abraço que com a sua doce força me envolva, me faça sentir seguro, desejado, amado...
Faz me falta sentir um olhar profundo que consiga lêr o meu EU, que veja o quanto preciso de sentir uma mão a apertar a minha mão.
Um sussurro de paz ao meu ouvido, o ficar ali abraçados a ouvir musica envoltos em beijos e carinhos
Fazes me falta para dividir a mesa de jantar com as velas a iluminar o nosso amor.
Fazes me falta para juntos vermos o nascer e o pôr do sol, para caminharmos ao luar...
Fazes me falta para me amar... Para eu te amar...
Será que existes alma gémea????

sábado, 9 de maio de 2009

Sentir...


Por vezes sinto-me perto da ruptura, tudo parece ruír.
Tudo parece aproximar se do fim .
Sinto...
Emociono-me até á ultima gota de sangue e suor.
Mas depois de tanta dor, tanta emoção, faço o luto e arranco das entranhas mais profundas força para lamber as minhas feridas, para terminar com o meu tormento, erguer a cabeça e fazer uma nova caminhada com mais uma lição aprendida.
Olho em frente, vejo uma vida cheia de bifurcações, mas sei que cada escolha que eu faça representa mais uma oportunidade de descobrir quem realmente sou..

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Luz


Não posso ver apenas aquilo que quero, não posso viver na ilusão.
Tenho que ver a realidade. Ver o que é.
Para isso preciso de Luz.
A mesma Luz onde moram os anjos.
A mesma Luz que ilumina os caminhos,
A Luz que transforma os homens e os torna especias.
Preciso da mesma Luz que me retira a estranhesa e me devolve a minha própria natureza.
A mesma luz que clareia os meus passsos e me devolve um sentido na vida.
A mesma Luz que no fundo do túnel abre um campo aberto de possibilidades, um universo de oportunidades.
A mesma luz, da cor da paz, da cor de um povo que vive no céu e que faz a minha vida na terra ter mais significado .

Escuridão


Bebo deste que dizem ser o nectar dos Deuses, olho o relogio. É tarde..
Sinto o corpo cansado, a carne grita para que a deixe cair inerte num sono profundo, mas a mente resiste, luta contra esta falta de palavras, contra a dificuldade que tenho hoje de articular em palavras aquilo que sinto , sinto-me castrado na minha capacidade de expressão.
Queria jorrar poesia e hoje não consigo, simplesmente não consigo.
Sinto me um poço terrivelmente vazio de onde emana apenas uma profunda escuridão .

terça-feira, 5 de maio de 2009

Herança


Queria não saber-me ligado a ti, ligado por um sangue que sinto envenenado, podre.
Odeio-te com todas as minhas forças.
Não concebo a ideia de teres deixado cravada em mim esta horrivel vontade de amor de uma noite ,de uma hora.
Maldita sejas tu que viveste uma vida de femêa no cio.
Ressuscito da lembrança, tento nascer uma nova pessoa mas esta falta de Amor, de carinho leva-me a procurar nos outros aquilo que nunca foste capaz de me dar e que no fundo não consigo encontrar.
Pudera eu rasgar meu corpo, trocar meu sangue, libertar me de tudo o que pelo mais belo e puro milagre da naturaza me liga a ti e tornar-me-ia mais leve, mais feliz..
Sem esta pesada herança.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Amanhecer


Estreia se em mim o movimento lento da manhã.
Desperto lentamente para a vida, observo os pássaros na sua invejavel dança.
Respiro calmamente para saborear esta brisa qual manjar divinal.
Perco me dos outros.
Diambulo me por dentro, fico a combinar palavras neste vai vem de energias.
À minha frente um amplo horizonte onde procuro o meu destino, acredito no que vejo , no que sinto, é a pulsação de todas as sensações secretas.
Dou o nada e o melhor de mim , faço me escultura para que fique gravado na arte da minha memória

sábado, 2 de maio de 2009

Inquietude


Por vezes sinto que vivo o presente de mãos dadas com o passado.
Sinto me por lembranças assaltado.
São gomos de saudade que seguro na mão.
Sonhos inquietos que me roubam o chão...
É uma dor calada lá no fundo.
Voz da minha alma a pedir para correr mundo.
Faço o luto dos medos.
O luto do passado, dos segredos.
Já me senti esquecido, já tentei esquecer.
Mas as lembranças voltam para me ver.
Senti que se um dia não estivesse cá, ninguem havia de chorar me...
Dor que me rasga por dentro.
Tràs me á lembrança os que do passado sinto chamar me.
Lagrimas
Saudade
Vontade de ser criança..
Eternamente criança, inocente, pura, sem maldade.
Abro os olhos para a vida.
Vejo uma esperança acesa atràs do muro.
Tudo é ainda um verso em branco á espera do futuro...